sábado, agosto 06, 2011

Pandora´s Last Dream

Hoje assisti a uma eutanásia muito dura, mas muito humana. Mastocitoma em estágio II, com invasão dos gânglios linfáticos (ou lifonodos) regionais. Os animais enganam-nos porque esforçam-se por ocultarem que não estão bem, quando na verdade já podem estar em grande sofrimento.

Só desistem mesmo à última. Sendo que a dona estava bastante consciente do que vinha a seguir, também é Vet, teve a coragem de dar o tratamento mais humano e pôr de parte as nossas aspirações surrealistas e por vezes irrealistas que vai tudo ficar bem. Seria penoso para uma cadela Basset Hound de 8 anos ficar com locomoção limitada e sujeita a quimio.

É uma avaliar de caso a caso. A sua sobrevivência correspondia ao agravamento do sofrimento, literalmente. Se a quem é responsável pela sua vida gosta mesmo do ser vivo, por muito duro que seja, por muito que seja magoar-nos, pelo menos temos a salvaguarda que ali paramos com o sofrimento.

Isto nos animais. Extrapolavél para nós, humanos.

E por isso a eutanásia justifica-se em casos em que o sofrimento negligência a própria vida. Negligente é aquele que a perpétua na cegueira de alcançar apenas o seu próprio objectivo de conseguir curar o paciente e não ver com olhos bem abertos o paciente. É o perigo da obsessão do regime médico, e tão claro no senso comum: "Não morre da doença, morre da cura."

To Pandora´s Last Dream:


Não se pode cair na arrogância de que a perda de um ser vivo, só porque não é da nossa espécie, não merece o mesmo respeito. Todos fazem parte do fluxo.

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