quinta-feira, setembro 02, 2010

Saltando dias

Saltando días em não existência. Olho o reflexo que está do outro lado do espelho e pergunto-me se daquele lado do espelho é o mesmo...

Observo o mundo por um écran... Filtro mentalmente e aproveito algumas gotas de realidade, nunca a coisa pura, mas suficiente para ter uma ideia.

Chego a uma estranha conclusão, este estranho padrão, esta ironia que já vem de alguns anos. Coincidências sobre coincidências, e já foram mais do que muitas, pois é isso mesmo que eu vejo, há como que uma tendência para "eu conseguir" juntar casais, duas pessoas que conheço de lugares diferentes e, como manteiga na torrada, geralmente a coisa dá certa. Acredite-se, não deixo isto aqui do nada. Ás vezes demora uns anos, às vezes... bem, uma noite, até se dar uma espécie de "click", aquele click. Digo "eu conseguir" como uma forma auto-respeituosa de dizer "sou o que até ali era comum entre os dois, e que, pelo acaso de um jantar, uma cafezada, uma copada, juntei".

E onde é que a ironia entra aqui? Já se adivinha, certo? Sou como que uma enzima catalisadora, mas as enzimas não funcionam para sim mesmas. Há duas possibilidades no meio disto tudo, ou efectivamente acabo sozinho e lá tenho de me contentar com a solidão, ou a rapariga encontra-me, aquela que eu sinta "Ah, é isto", vai ser uma sortuda, porque tem a oportunidade de conhecer-me por detrás de todos os alegóricos eufemismos que crio para me proteger. No meu cerne, quase me tocaram três vezes, e das três vezes com faca afiada. Mas existe aquela última barreira.

Exilei o meu coração, por enquanto, está fora de mim, em férias. Claro que sinto um vazio, claro que não acredito no amor, nem tenho esperança. Céus, nem desespero se acomoda nesse trono reservado. Nada, vazio. O coração não está cá.

Consigo neste momento ser cruel, amargo e frio, sem sequer me importar. Sou gelo. Excepto, lá está, para os três que são a minha família. Quando estou com eles sou um turbilhão de emoções, o coração volta nessa altura. Não deixam de sentir o frio que se me instalou, e por vezes têm medo, mas tenho a certeza do amor incondicional, tanto meu como deles.

Tenho gravado na testa boas maneiras, boas condutas, e isso é como um feitiço que me impede de fazer maldade, ou a grande parte. Tenho noção que tenho capacidade de ser um espécime de maldade fantástico, quase como a personificação da própria palavra.

Mas escuridão, é parte natural do macaco humano. E a minha, estou a conhecer nestes dias podres da vida minha. Exploro-a isolado, fora de contacto, para não danificar nada. A luta é dentro de mim.

Enfim, são daqueles períodos que mais tarde sabemos reconhecer que estávamos mesmo em baixo. A evitar é a frase comum "eia fui um estúpido", porque isso é chamado auto-flagelação.

Já chega de conversa, vou saltar para amanhã, a ver se isto passa, porque já estou a ficar farto.

Fraco, eu?

Ahahahahahhahahahahahaahahah

Venha negro para contemplar e aceitar!



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