Assim mergulho sem hesitação o vácuo do abismo e permito que o visco da escuridão me absorva enquanto a luz esvanece dos meus olhos. Deixo no coração entrar o sentimento mais doloroso de todos, o arrependimento. Contemplo o grau de destruição de um sentimento como esse, voraz, arranca e rasga pedaços do coração. Sem piedade, sem remorso.
Comprometo-me a ir ao fundo do meu outro lado. Não porque desisti, mas porque tenho resistido ao longo do tempo à sua presença. Tenho força para ir lá ao fundo, e arrancar da raiz. Já me infectou demasiado a vida por outros meios, já me corrompeu por outros lados. E claro, tenho de aproveitar alguns frutos do mal, já que um coração bom, cheio de boas intenções, jamais sobreviverá neste mundo. Sim, esta é a lição mais dura que aprendi, e hoje, ainda colho frutos amargos, bem amargos, de fazer chorar...
Não quero deixar de acreditar nas pessoas, pelo menos, naquelas que merecem que eu acredite nelas. Porque essas são tão poucas que... até faz impressão. Como é que nós, humanos, tantas vezes conseguimos fazer coisas maravilhosas, como somos os seres mais cruéis.
Ainda tenho alguma dificuldade de controlar-me, já que decidi percorrer por agora este caminho. Já piquei algumas pessoas que não merecem, mas é difícil quando há tanto sentimento negativo contido. Apenas deixo intacto o meu núcleo e a minha família, a minha pequena família. Tenho de encontrar a fórmula da frieza, havia uma equação qualquer...
E claro, é difícil para uma pessoa que sempre promoveu os positive vibes, quase sempre tudo cool, sem grandes stresses desatar a tornar-se num agente do mal infernal do natal. É uma incoerência, mas para me perceber, para ser o melhor, tenho de me fazer esta pequena cirurgia.
E, curiosamente, já comecei a detectar as "coisas más" das pessoas, aquele não sei quê que as faz pessoas menos boas. E o mais preocupante é que é em pessoas muito próximas. Mesmo debaixo do nariz. Confio cegamente em demasiadas pessoas e entrego-me demasiado a raparigas que só vão ser encornadas e sofrer até morrer. Não lhes desejo isso, mas é o que acontecerá. Entrego-me a supostos "amigos" que depois pisam e estão lá porque "interessa". Viverão sempre angustiados porque nunca confiaram, viverão sempre perseguidos pela própria sombra.
Ai as boas intenções... só valem a pena quando não valem mesmo a pena.
É difícil quando atravessas a tua própria noite, por vezes cais na tentação de perderes a vontade de viver, desistir e deitar-te a ver a vida passar. Mas eu sou mais teimoso que tudo isto e consigo sempre o que quero.
E no fim deste episódio, serei eu pra mim, ainda mais fantástico do que sempre fui.
Eu digo, eu faço, eu resulto.
Sem comentários:
Enviar um comentário