sábado, julho 16, 2011

Limbus em C menor

Não é fácil. E levo com dois chutos mais uma vez. Estou já cicatrizado (isto é com muita cicatriz) de muito pontapé emocional. Ando agora é a levar tareia noutro plano.

É facto, estou a passar aqui para sofrer, ao sofrimento não passo incólume, a qualquer nível, a qualquer plano.

A minha era negra. Tão incrustada, silenciosa, transformou-se no monstro que agora é o meu coração. Atirou-me a um limbo de tão cinzento, que as formas não se distinguem. É o ciclo do sofrimento que ascende, cai, ascende e volta a cair.

Estou a ceder por todos os lados. Sou a torre que não está a aguentar a estrutura, sinto as vigas de madeira a explodir com a tensão. "Caralho!" Digo eu em fúria. Pura fúria sem orientação. Aperto o punho. "Fodasse!" Cuspo eu. Facadas de auto-flagelação. Semi-cerro os olhos. "Puta que pariu esta merda toda!". Deixo sair tudo isto. Sem restringir.

Ascendo ao plano emocional. A fúria flui dentro de nós é fogo, faz-nos arder, acende as nossas partes mais "feias". Acendem-se as feridas de uma juventude desperdiçada com mulheres que só vão dar valor ao que nunca vão ter. Mulheres aos quais permiti o meu coração tudo. Dei tudo. Estou só. Por certas mulheres deixei-me ser humilhado, cuspido, gozado. Pior de tudo, assassinei a minha juventude. É por minha fúria que me surge no pensamento "que essas se preparem, pois desejo-lhes o equivalente". Paro e aclamo. "De facto, mais tarde ou mais cedo, cá se fazem, cá se pagam", penso. A parte do eu vingativo acalma, num sorriso. "Hão de se foder", remata.

Simples. Sou escuridão. Morreu a última parte do meu correcto, aqui.

A fúria chega então ao meu cerne, aonde há mais combustível, aonde pode explodir completamente. Aonde posso efectivamente perder-me. Sou eu contra mim. A odiar-me com todos os se´s com todas as escolhas erradas. Eu, negro, pura maldade a acoitar-me, a morder-me, a fritar-me.

Dor.

Faz o coração saltar um batimento.

Faz-me encolher na posição fetal.

Morro mais uma vez. No limbo morre-se e revive-se espontaneamente.

Mas desta, doeu à brava.

Sei que ainda posso contar com o amor incondicional dos meus pais. Principalmente da minha mãe. É energia positiva do mais puro que há.

Sei que ainda posso contar com alguém que mesmo depois de morrer algumas vezes de forma cruel, ainda está ao meu lado, a puxar-me para cima. O meu irmão, está claro. Mesmo com divergências. Mesmo nos últimos meses que partilhamos a vida juntos. Por vias de facto, e agora analisando já com lágrimas nos olhos, a melhor coisa que alguma vez me possa ter acontecido foi nascer sabendo que tinha um cabrão de um irmão à minha espera, para me proteger.

Fodasse. Não consigo de parar de chorar. Acima de tudo, doí-me porque também lhe doí a ele.

Ah... agora sou eu que estou a passar por lá irmão, estou mesmo a passar aonde estiveste.

Que se foda tudo o resto. Que se foda tudo isto. Empresta-me mas é a tua fúria para rematar isto de uma vez!



Sem comentários: