E depois morri outra vez e outra vez... até que sobrou apenas a memória. Depois da memória desaparecer, desapareço de vez. Uma lágrima que se perde no meio da chuva. Porque é assim mesmo a nossa doce insignificância quando queremos desesperadamente ser únicos, insubstituíveis. Porque temos a ilusão de que tudo permanece tal como é. E quanto mais agarrados a essa perspectiva, mais sofremos de nostalgia.
Porque a nostalgia é dos poucos sentimentos que trago na algibeira. Como se fosse uma máquina fotográfica, em que nos lugares que um dia foram, permitem que sejam de novo, dentro da minha imaginação.
Porque sou alguém profundamente mergulhado em sentimentos, e neste momento afundo-me sem poder respirar. Porque é na solidão que tenho de me reconciliar. Perdoar-me. Mostrar-me. Revelar-me.
Porque sou alguém extremamente especial. Porque "não tenho o pensamento linear". Sim, era talvez isto que me faltava verbalizar.
Não penso nem perspectivo da mesma forma dos demais. O meu par de olhos são uma perspectiva a um outro nível completamente alienígena de uma pessoa dita "normal" segundo o paradigma da actual sociedade.
Sou um impulso vivo.
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