Ainda no lodo que parece ganhar vida à medida que me afundo no profundo inconsciente, cheio de memórias horríveis, negras e corruptas, um verdadeiro limbo onde toda a maldade humana é transversal e está guardada, numa estranha forma de inconsciente comum. Incontáveis as crueldades que nós, pessoas, conseguimos fazer uns aos outros, com sangue gelado a pulsar pelo sistema circulatório. O sofrimento é o dogma da espécie humana. Mas saber contornar o sofrimento, é a maior habilidade da espécie humana.
Quando mergulhado na sombra, o que nos ilumina a vida ainda fica mais incandescente, aquelas pessoas que importam mesmo... assume-se toda uma nova perspectiva. Tudo o resto, todos aqueles que para nós são dúbios apagam-s como velas.
É assim a crueldade de se crescer contra a vontade, contra a verdade. Ver, inspirar, sentir e degustar a verdade. É como aprender a gostar de vinho, os primeiros copos, sabem mal, mas à medida que vamos experimentando..
Aos poucos recolho os pedaços dos meus sentires. Sei que naquele lugar, naquele ambiente, é assim que me sinto. É de uma forma ténue que ele aparece, apanho-o e guardo para mais tarde restaurar. São pedaços de um coração que há muito tempo se desfez. O que me fez continuar foi a sombra que permaneceu no seu lugar, como as instruções de o voltar a reconstruir.
O que me faz lutar? É saber que ali à frente há uma peça fundamental.
M
Esse "M", que mais do que um desafio, é um regalo ao ego, é um bónus à auto-estima, é um peso para a carteira, mas acima de tudo, é o tirar do sofrimento o desconhecido.
Horas de ir deitar, amanhã há mais luta.
Fica um pedaço do meu coração, uma música nostálgica, uma música triste/alegre, uma música que me embala, uma música que me sugere a alma a caminhar trôpega, cansada, mas que numa teimosia atroz, não desiste, vai naquele caminho porque dentro dela sabe, sim sabe, oh...
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