quinta-feira, setembro 08, 2011

Fim

E é no ponto mais em baixo que termina. A minha existência é nula. Este é o dia mais triste de, pelo menos, esta vida, até hoje. Só e sem dinheiro. Quase que dá para escrever uma letra do Bob Dylan. Lone and broken, my heart has spoken...

Será que é aqui que deixo para trás a minha era negra? Com nada, nada tenho a perder. Sim é o "nada" que tenho a perder, porque o tenho. Quando se chega ao fundo, não há mais nada para descer. Ou morre-se aí, ou sobe-se.

Vejo, porque no escuro, os olhos tornam-se necessariamente mais aguçados. No escuro brilham as essências, o verdadeiro lado das pessoas. Agora, um pouco mais hábil a detectá-las.

Só. Mas com a verdade. A minha verdade.

Fará sentido escrever aqui? Partilhar aqui palavras, desgostos, esperanças? Porque a verdade do mundo é tão lânguida e monotonamente vil, quase obscurecendo os nobres actos, porquê não deixar que a minha própria imaginação escorra bruta? Pura e bruta? Fora do meu contexto real?

É isso, meu caros pares de olhos, é o que irei criar. É o último dia da minha vida e o primeiro da minha vida.

Cansei-me de vos servir.

Adeus, o Andador parou e morreu.



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